labirintite

Antes de explicar a labirintite, temos que entender como se compõe o ouvido humano.

Ele possui dois componentes distintos:
1) Cóclea (em formato de caracol, responsável pela nossa audição); e
2) Vestíbulo (responsável pelo nosso equilíbrio).

Juntos, cóclea e vestíbulo, formam o labirinto.

Já o equilíbrio corporal é mantido por 3 sistemas:
1) Sistema vestibular (labirinto);
2) Sistema somato-sensorial (composto por um conjunto de receptores que informam o sistema nervoso central, sobre a posição do corpo); e
3) Visão.

A tontura é sentida porque o cérebro recebe informações erradas a respeito da posição no espaço, informações geradas pelo labirinto doente.

Existem dois tipos fundamentais de tontura:

1) A tontura não rotatória pode ser caracterizada por diversas sensações como instabilidade, flutuação, atordoamento, impressão de queda, desequilíbrio ao andar e desvios ao caminhar.

2) A vertigem é o tipo mais comum de tontura, caracterizando-se pela sensação de rotação: o paciente  sente que o ambiente  roda  à  sua volta ou que está girando no meio ambiente. A vertigem pode ocorrer ou agravar-se em certas posições corporais ou às mudanças da posição da cabeça  (V.P.P.B.: vertigem postural paroxística benigna, que são calculos nos canais semi-circulares).

Os distúrbios do labirinto, conhecidos como labirintite, são a fonte mais comum de tonturas aguda e crônica, mas também podem ser de causa puramente psicológica, neurológica ou visual.

A tontura aguda geralmente é do tipo giratório (crise vertiginosa), intensa e acompanhada de sintomas como:
– Náuseas;
– Vômitos;
– Sudorese;
– Palidez;
– Taquicardia;
– Sensação de desmaio; e
– Prostração.

Pode durar minutos, horas ou dias e ocorrer mais de uma vez em um mesmo paciente, com intervalos de tempo variáveis.

Pacientes com tonturas costumam apresentar, em maior ou menor grau, insegurança, ansiedade, depressão, medo, perda de memória, dificuldade de concentração mental, fadiga física e mental, que afetam de modo considerável a sua qualidade de vida.

Devido às relações entre o sistema vestibular e o sistema auditivo, o paciente com tonturas pode apresentar sintomas como diminuição da audição em um dos ouvidos ou em ambos, dificuldade para entender a conversação, zumbido no ouvido ou na cabeça, sensação de pressão no ouvido e hipersensibilidade a sons.

As combinações dos sintomas caracterizam diferentes quadros clínicos de comprometimento do labirinto. A ocorrência dos sintomas têm características peculiares em algumas das doenças labirínticas mais comuns.

Em função da doença que apresente, o paciente tanto pode relatar crises de vertigem com perda auditiva, zumbido e sensação de pressão no ouvido. Também poderá ter queixas típicas de tonturas de tipo rotatório à mudança de posição da cabeça, ao deitar-se, virar-se na cama, levantar-se e olhar para cima, que poderá ser V.P.P.B. constatada por manobras diagnósticas.

Diagnóstico

Diante uma queixa de tontura, de qualquer tipo, deve ser sempre considerada a possibilidade de esta ser de origem vestibular, até que o contrário seja provado.

Quando há suspeita de um distúrbio do labirinto, o diagnóstico é baseado na história clínica e no exame otoneurológico, que analisa as funções auditivas e do sistema vestibular, por meio de diversos procedimentos. Os testes a serem efetuados dependem das características de cada caso.

Tratamento

O tratamento depende do diagnóstico e da identificação da causa específica do distúrbio labiríntico. No entanto, o tratamento exclusivamente da causa pode ser insuficiente para a obtenção de resultados favoráveis.

A utilização conjunta de outros recursos terapêuticos pode ser indispensável. Entre estes recursos, incluem-se os medicamentos que podem atenuar os sintomas e facilitar a compensação do distúrbio labiríntico, os exercícios de reabilitação do equilíbrio corporal e uma orientação nutricional para evitar erros alimentares ou hábitos que podem ser importantes fatores agravantes.

O tratamento visa eliminar ou atenuar as tonturas e sintomas associados. Com o tratamento adequado, um número relevante de pacientes tem obtido melhora expressiva ou cura de seus distúrbios labirínticos.

No caso específico de V.P.P.B., estarão indicadas manobras terapêuticas de reposicionamento canalicular, conforme o canal semi-circular acometido.

Se você tem algum tipo de tontura, os cuidados médicos são essenciais para a orientação diagnóstica e terapêutica personalizada.

Nunca tome medicamentos por conta própria.